Congresso Nacional : procedimentos projetuais e arquitetura brutalista

Danilo Matoso Macedo
Elcio Gomes da Silva
– out. 2013 –



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Resumo

Com este artigo sugere-se, a partir da análise de fontes documentais primárias, alguns princípios arquiteturais na obra de Oscar Niemeyer, observados no processo de projeto do Palácio do Congresso Nacional em Brasília (1957-1962). Um entendimento aprofundado de tais princípios pode contribuir não apenas para tornar claras importantes relações entre concepção e construção, entre decisões em grande escala e detalhes construtivos, mas também pode auxiliar a traçar caminhos para a preservação daquela importante obra. Nas obras anteriores a Brasília, a arquitetura de Oscar Niemeyer se caracterizava pela diversidade de formas, materiais, e cuidado especial aos detalhes – embora sempre articulada em plantas livres. Com os trabalhos na nova capital, o próprio arquiteto explica, sua obra passa a lidar com a procura constante de concisão e pureza, a serem alcançadas com soluções compactas, simples e geométricas; os problemas de hierarquia e de caráter arquitetônico; as conveniências de unidade e harmonia entre os edifícios e, ainda que estes não mais se exprimam por seus elementos secundários, mas pela própria estrutura, devidamente integrada na concepção plástica original. Já em 1956, Siegfried Giedion afirmava que os arquitetos brasileiros eram capazes de resolver os diversos problemas de um programa complexo com uma planta baixa simples e concisa e cortes claros e inteligentes. Niemeyer levaria de fato esta estratégia sintética a um novo nível, nos quais desenhos simplificados, esquemáticos, também desempenhavam um papel na definição dos elementos principais. Uma forma concisa seria então a consequência de uma representação gráfica também concisa em que permaneceriam apenas os princípios arquiteturais que, para o autor, seriam essenciais ao edifício. Se a esquematização gráfica implica de certo modo a prevalência da forma plástica, uma estratégia de projeto mais abstrata e não figurativa pode ser interpretada como uma representação pura de princípios clássicos, tais como ritmo, regularidade, simetria e proporção. Este duplo conceito é aqui examinado tal como presente em alguns dos desenhos arquitetônicos originais do Palácio do Congresso em Brasília, projetado por Oscar Niemeyer em 1957 – um momento decisivo na carreira do arquiteto. Esta pesquisa é centrada na solução estrutural, no modo como sua ordem é expressada em elementos secundários, e em sua relação com o nível de detalhamento então atingido. Alguns elementos revelam-nos mudanças sutis entre um formalismo estrito e um projeto aberto: pilares elípticos representados como retângulos; esquadrias, revestimentos e pavimentações dispostos de modo não modular e adaptativo – dentre outros. Quais daqueles elementos permanecem? Quais estabeleceram novos padrões para mudanças? Tais procedimentos não estariam na raiz das estratégias de projeto e de composição de uma certa corrente do brutalismo brasileiro? O estudo do Palácio construído, e seu processo de projeto, tal como articulado desde seus primeiros esboços aos desenhos técnicos definitivos, suscita questões – concernentes a geometria, hierarquia, caráter, unidade e harmonia – fundamentais a qualquer ação voltada à preservação daquele complexo.


Publicação original

Macedo, Danilo Matoso, e Elcio Gomes da Silva. “Congresso Nacional: procedimentos projetuais e arquitetura Brutalista”. In Anais do X Docomomo Brasil – arquitetura moderna e internacional: conexões brutalistas 1955-1975, 92–99. Curitiba, 2013.
Disponível em <https://docomomo.org.br/course/10o-seminario-docomomo-brasil/>.

———. “Congresso Nacional: procedimentos projetuais e arquitetura Brutalista”. Thésis – Revista da Anparq, nº 5 (ago.-set. de 2018): 92–99. Disponível em: <http://anparq.web965.uni5.net/index.php/revista-thesis/article/view/202> .

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