Desenho concreto, obra abstrata: a simplicidade e seus desvios na Arquitetura Moderna Brasileira

Danilo Matoso Macedo
– set. 2009 –



Download

  1. PDF
  2. PDF no ResearchGate

Resumo

Desde a década de 1950, alguns núcleos dominantes da Arquitetura Moderna Brasileira passaram a caracterizar sua produção por uma crescente simplicidade formal. Esta economia de meios parecia unir o ideário moderno-nativista de cunho vernacular à expressão sintética da arte abstrata moderna. A construção cada vez mais prescindia de elementos de proteção solar, múltiplas cores e revestimentos; e o projeto destinado à construção desta arquitetura simples era, ele mesmo, uma espécie de composição abstrata cada vez mais sintética. Paredes, portas, janelas e estrutura transformavam-se cada vez mais em pontos, linhas e planos numa composição concretista, correspondente ao mundo da arte, destinada a delimitar um mínimo de fechamento necessário à conformação do espaço arquitetural. Esta fusão entre planta abstrata e arquitetura simples ocorre tanto na arquitetura de Oscar Niemeyer da década de 1960, como nos arquitetos representantes da nova geração paulista, passando – evidentemente – pelos trabalhos de Paulo Mendes da Rocha e João Vilanova Artigas. A chave para o entendimento desta atitude, entretanto, talvez se distancie do mundo da arte e se aproxime do mundo da construção. Afinal, para que sejam levadas à materialização, tais manifestações abstratas implicam num elevado grau de convenção construtiva. Para que uma linha, em planta, seja entendida como parede, na realidade, é necessário um entendimento claro dos materiais e componentes constitutivos que convencionalmente compõem uma parede. Na via oposta, a arquitetura moderna passou a cobrar dos elementos construídos atributos próprios da abstração que os originara. Não se trata mais de construir simplesmente uma porta convencional – com verga, marco e alizar –, mas de construir uma porta que se assemelhe a um plano tão puro quanto possível – do piso ao teto. Construtivamente, o efeito é inverso ao pretendido com a síntese artística original. Perde-se o valor de convenção do desenho abstrato na sua transposição uma para arquitetura abstrata. Construir formas simples acaba sendo oposto a construir com simplicidade. E a busca pela forma concisa leva à obra de execução dificultosa e complexa. Palavras-chave: Arquitetura Moderna, Desenho Arquitetônico, Construção


Publicação original

Macedo, Danilo Matoso. “Desenho concreto, obra abstrata: a simplicidade e seus desvios na Arquitetura Moderna Brasileira”. In Cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes. Rio de Janeiro: Docomomo Brasil, 2009.
Disponível em <https://docomomo.org.br/course/8-seminario-docomomo-brasil-rio-de-janeiro/>.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s